Aqui me faço poesia.
Seja em verso,
em prosa
ou anarquia

— Vitor H. B. Lopes

  • Sobre o que escrevo

    Já escrevi sobre o amor
    E seus efeitos em mim
    Já escrevi sobre a morte
    E como vejo o fim
    Já escrevi sobre a dor
    Com meu peito em angústia e ardor

    Mas eu gosto é de metapoesia
    Da palavra dita e não dita
    De fazer da poesia, poesia

    Com as palavras me deleito
    Com elas me deito
    E começo a versar

    Vejo suas formas
    Toco suas curvas
    Provo seus sabores
    E sinto seus aromas

    Com as palavras eu brinco
    Eu troco
    Eu tiro
    Eu coloco

    Até ela e eu
    A poesia e eu
    Perdermos qualquer vergonha
    E nos encharcarmos
    Num último verso

  • Os últimos segundos antes da morte

    Alguns segundos antes da morte
    Há culpa e desculpas por estar morrendo
    Alguns segundos antes da morte
    Sinto meus olhos escurecendo

    Se tempo houvesse
    Para que meu pranto escorresse
    Minhas lágrimas não seriam surpresa
    Se alguém aparecesse

    O nó na garganta
    não me deixa cantar
    Mas nesse lento tempo
    não há tempo nem de gritar

    Alguns segundos antes da morte
    Não é a vida toda que passa em vão
    Nos últimos segundos antes do fim
    Olho nos olhos
    Aqueles caros ao meu coração

    Sinto a última nota
    Do meu corpo a tocar
    E num breve sopro
    Me deito nos braços abertos
    Da agora eterna escuridão

  • Bookster

    Fui buscar num livro
    o que era poesia.
    Mas nem precisei abrir.
    Olhando suas curvas e retas,
    vi que um livro
    é poesia em si.

  • Uma maçã mordida faz poesia?

    Depende em qual queixo
    seu suco escorreu
    No dele
    ou no meu

  • Eu vejo
    Eu sinto
    Eu poetizo
    Eu, lírico

  • Num poema
    Me desenlaço
    Desembaraço
    Me perco
    Me faço

  • Brasil, 2018

    Protestar aos gritos
    Para ser calado.
    A mais infeliz contradição.

    Num país que anseia
    Pelo passado,
    Um mergulho nas trevas
    É a conclusão.

    Sem dar nem um ‘Olá’,
    Pode chegar e demorar a partir.
    Usemos de sabedoria agora,
    Ou por muitos dias
    Vamos deixar de sorrir.

  • Eu não escrevo poesias

    Não, eu não escrevo poesias,
    são elas que me perseguem.

    Quando dou por mim,
    lá estão elas, faceiras,
    me olhando.

    No banho,
    no café que tomo,
    na música que ouço…

    Eu não escrevo poesias,
    deixo que elas,
    por conta própria,
    transbordem pelos meus dedos.

    Não escrevo poesias,
    Apenas dou o espaço que elas precisam
    e não as calo.

  • Para ser poeta

    Com quantas poesias
    podemos nos chamar poetas?
    Penso que numa única vida
    não há tempo suficiente
    para que nos tornemos tão puros
    para sermos poetas.
    Fazemos no máximo uns rascunhos,
    que devem ser aperfeiçoados
    por existências a fio.
    Os grandes?
    Ah, estes não são humanos,
    são a poesia em si.

  • Onde está a poesia?

    Às vezes, a poesia está no que vemos
    e não no que dizemos.
    Às vezes, a poesia está no toque da pele
    com outra pele.
    Às vezes, a poesia está na brisa que beija nosso rosto.

    Pode ser que a poesia
    se esconda naqueles olhos.
    Pode ser que a poesia
    esteja no silêncio
    Ou no luar
    Ou no mar

    A poesia está naquilo que sentimos
    Seja ao adormecer,
    Seja ao despertar.