O homem e a esfinge

I

Peço-te licença, senhora
Pois sois tu quem me devoras
Por não profundamente a conhecer.

Além do Nilo,
O que fi-lo
Foi encher-me de saber.

Se não te parece suficiente
Haja mente
Para a ti encantar!

Das tuas garras, de repente,
Sem demora
Hei de me libertar.

Decifrar-te
Como a arte
É tarefa não da mente
Mas do coração.

Digo então que me releves
Pois seu controle
Não está em minhas mãos.

II

Com teus saberes, peregrino
Pões-me à beira de um abismo

Se tu soubesses
Do mundo um pouco
Impossível seria te enganar

Com astúcia
Pedes tu minha clemência
Mas mal sabes a aparência
Da minha ira a despertar

Se não me decifras
A ti devoro
Se me enganas
Não te ignoro

Pensas tu
Que me convences
Que este amor
Que tu não sentes
De tola me fará?

Então te digo,
Pródigo andarilho
Que tua vida,
Com minhas garras
vou ceifar.

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