Café

O café vai entrando, esquentando a alma, acordando o tempo, calçando o dia para que ele comece. O café, como droga que é, enquanto entra empurra para fora a inibição e com ela o amor. Tal qual numa balada, onde outros cafés despertam sentimentos e desejos, provavelmente inexistentes em essência, é no despertar matinal dos sentidos, regados enfim a café, que o verdadeiro amor vai fluindo, tomando espaço, a partir das vísceras, subindo ao peito, abraçando e esquentando o coração, fazendo-o bater mais forte para dar conta da respiração mais intensa, um arrepio na nuca, e então saem pelas pontas dos dedos aquela mensagem de eu te amo. Endereçada sempre à verdade.

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